sexta-feira, janeiro 13, 2006

Hoje

Hoje vou trabalhar.
Hoje vou sair.
Hoje é sexta feira.
Hoje é dia 13.
Hoje é lua cheia.
Quando sair do trabalho vou carregar no acelerador... quando surgir o lobisomem, quero estar ao volante, escolher a mudança necessária, travar perante o obstáculo, ultrapassar pela esquerda, olhar pelo espelho retrovisor e ver o condutor de trás a sorrir!
Quero isto tudo, mas não dentro do carro...
Quando o lobisomem surgir quero o meu decote vestido de rosa, as minhas pernas torneadas pela liga, a cintura marcada a corpete, as minhas unhas carmim.
Quando o lobizomem me vier abocanhar, quero estar a beber um blody mary, enquanto ouço uma cover do Bleed de Ben Harper.
Quero que a borboleta poise em cima do nariz húmido do Gato malhado e diga enquando o beija: existem andorinhas que voam!
Quero estar com os sentidos despertos... para me esvair em sangue imunocomprometido!
Amanhã será sabado e quero estar a dormir à hora em que escrevo este azar.

quinta-feira, janeiro 12, 2006

Não é cansaço...

Estou cansada. Não é um cansaço de alma, essa vai bem obrigada!
Não é cansaço físico: não me doem os músculos.
Tenho tantas coisas por fazer... olho para elas e adio, como adio as idas ao supermercado!
Tenho tantas coisas para fazer... olho para elas e adio, como adio o beijo que daremos!
Adio o beijo porque tenho que ir ao supermercado... e não vou!
E não te beijo!
Continuo com tantas coisas por fazer...

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Simpatia

Veio ter comigo ao carro, acariciou-me a cintura: deves ser a particula, subimos?!
A mão continuou lá.
Sou simpática. A mão pesa-me como a minha cabeça. Estou irritada. Vou divertir-me, penso...
Sento-me. Bebo Alambre. Bebo Sagres. Bebo Pisagambon. Bebo dos três e só gosto do primeiro.
Há Ferreros.
Gosto de Ferreros.
Não há Ferreros para todos.
Chama-me para dividir,de forma desigual, ferreros na cozinha.
A mão voltou, a outra juntou-se-lhe... Desencontradas.
Volto para o sofá de 300 contos. Fumo. Fumo. Fumo. Há muito que não fumava. Gosto de fumar.
Bebo, fumo e rio.
Falam?!
Rio.
Toca-me enquanto fala.
As mãos movem-se.
Rio e gosto. Não me parece!
Beija-me.
Talvez. Bebo e fumo. Queimo-me!
Diz que sou uma sereia em chamas.
As mãos voltam com uma lingua no pescoço. O cigarro roça subtilmente no branco de 300 contos.
Bebo e rio, quero mais...
Julga necessário proferir uma jura: não se esquecerá de mim...
Bocas, mamas, costas, pernas, cona, peito, pescoços, linguas, barrigas, mãos, caralho, movimento, tesão e...
Preparo-me para sair. Quero beber e quero fumar.
Sou simpática...
Entram e riem.
Fumo e bebo.
Apalpa-me as mamas e faz-me tranças. Sopra-me o pescoço enquando pronuncia uma jura repetida...
Rio e saio.
A porta do carro fecha-se sonoramente. Penso em ti e em como tu também és simpático! O nosso maior defeito...

terça-feira, janeiro 10, 2006

O melhor de mim...

Monte de incongruências, defeitos, imperfeições, erros, enganos, ilusões, medos, dúvidas, amuos, birras, teimosias, preconceitos, mentiras, ironias, cinismos, hipocrizias, maldades (lista em constante actualização)... Exagero pérfido que eu tanto amo... EU!

quarta-feira, janeiro 04, 2006

Sosia

Telefonas-me, queres que te vá ver.
Saio do trabalho.
Pego no carro, conduzo automáticamente por entre as 14 rotundas que nos separam.
Encontro estacionamento mesmo em frente.
Entro e pergunto por ti, encolhem os ombros.
Não te conhecem, não moras lá.
Explico-lhes que estão enganados.
Já lá estive contigo.
Já lá estivemos todos, em jantares de familia, em festas de comemoração, ou simplesmente por estarmos.
Nunca me viram, devo estar enganada, a fazer confusão.
Há pessoas que são muito parecidas.
Todos nós temos um sosia, possivelmente as familias também têm um sosia.
Regresso.
Percorro 4 rotundas e 2 triangulos.
O saldo do seu cartão é inferior a 5 euros!
Afinal quem ligou fui eu?!
Liguei para quem?
Com quem jantei?
Com quem dormi?
Com quem joguei?
Com quem fodi?
quem me expremeu pontos negros?!
EU?!
Impossivel... mas tudo leva a crer que possuo uma empresa de ficções!

terça-feira, janeiro 03, 2006

Ontem Senti-me a (Novamente) a Elooouquecer.
Hoje não Sinto.

segunda-feira, janeiro 02, 2006

I'm Free Now?!

Ora foda-se! (repare-se: primeira asneira escrita neste novo ano...!) Basta por-me a cantar um bocadinho, a fazer as respirações no sítio certo, a não desafinar com a minha alva e doce voz melódica, para virem umas filhas das puta de umas vodkas dizerem-me: Não cantes de Galo, qu'inda agora a procissão vai no adro... Lá nessa loja de adros não havia uns mais pequenos?!
Ora foda-se!

sexta-feira, dezembro 30, 2005

Morphine - I'm Free Now

I'm free now to direct a movie Sing a song or write a book about yours truly How I'm so interesting I'm so great I'm really just a fuck-up And It's such a waste to burn down these wall around me Flexing like a heartbeat we don't like to speak Don't talk to me for about a week I'm sorry it just hurts toexplain There's something going on that makes my guts ache I got guilt I got fear I got regret I'm just a panic stricken waste I'm such a jerk I was honest I swear the last thing I want to do Honest I swear the last thing I want to do Is ever cause you pain Oh I'm free nowFree to look out the window Free to live my story Free to sing along Oh I'm free now to direct a movie Sing a song or write a book about yours truly How I'm so interesting I'm so great but I'm really just afuck-up It's such a waste to burn down these wall around me Flexing like a heartbeat we don't like to speak Don't talk to me for about a week I'm sorry it just hurts toexplain There's something going on that makes my guts ache inside I got guilt I got fear I got regret I'm just a panic stricken waste I'm such a jerk I was honest I swear the last thing I want to do Honest I swear the last thing I want to do Is ever cause you pain Oh .

quarta-feira, dezembro 28, 2005

Num blog perto de si...

Para quem anda distraído, eu a super particula, com os meus super poderes reconheço orgulhosamente ter servido de dínamo para o surgimento de um novo super blog: "fora de contexto" que um tal de olheiras, para os amigos, ou nos circulos culturais mais restritos: sr Augenringe, estava a evitar à muito... Deliciem-se com o que ai vem!

Dúvidas de Natal III... a continuação!

Ok, eu sei que estava a pedi-las... mas não era necessário iniciar-se um blog só para responder a uma pequena provocaçãozinha!
Mas prontos sr augenringe/olheiras eu tipo, que acho muito bem! Seja bem vindo, mas tente não ser sempre tão reactivo que lhe faz mal a essas suas mãos e coração de verdadeiro virtuoso! :D

segunda-feira, dezembro 26, 2005

Dúvida de Natal I

Afinal sempre houve azevias ou não?!
e se as houve quem as comeu?!

Dúvida de Natal II

Quem faz um Vinho fá-lo com Mosto?!

Dúvida de Natal III

É possível ser-se um virtuoso e uma joia de moço simultâneamente?!

Pior prenda de Natal!

Inauguração da categoria pessoal: Queca de Merda

segunda-feira, dezembro 19, 2005

Gosto de...

Gosto de sorrisos! Alegres, frescos, vermelhos carnudos. Com os lábios suficientemente entreabertos, de forma a se descortinar o brilho esmaltado de uns bonitos dentes brancos!
Espontâneos, com covinhas de preferência, ou sem elas!
Marotos, atrevidos, puros, inocentemente maliciosos, puramente obscenos como as virgulas!
Gosto de sorrisos como gosto de virgulas, e de todas as palavras que me façam enrolar subtilmente a língua.
Gosto dos sorrisos que me enrolam, envolvem, tocam, marcam, que me levam a...

domingo, dezembro 18, 2005

Há dias assim...

Mesmo que a tua banda não passe do primeiro single eu continuo a amar-te.

Banda de Natal

Desde pequena que sonhava em ter uma banda!
Ansiava por poder tocar um instrumento, fosse qual fosse, até podia ser a vocalista!
O que realmente importava era ter uma banda!
Não sabe tocar, nem tão pouco cantar... mas o seu desejo manteve-se sempre inalterado! De tal forma que este forte ensejo, que se alojava no coração, com o passar dos anos, com os ritmos cardíacos pouco ritmados, com os diversos impulsos electricos de base sinosal, foi migrando lentamente!
Hoje tem uma banda, alojada no estômago! Os pratos da bateria salpicados a verde brocolo, o saxofone corado a bordeaux vinho, as cordas da guitarra vão fatiando batatas para fritar, a pandereita serve finas panquecas enquanto os ferrinhos vão batendo alvas claras em castelo, os adufes povilham a canela o arroz doce... Tem uma verdadeira banda dentro do seu dilatado estômago... a voz essa é de um vómito seco de quem se entrega em demasia aos prazeres...
Hoje ainda não é feliz... Cumpriu o seu sonho: tem uma banda dentro dela!
Sempre ouviu dizer: o que conta é o interior!

segunda-feira, dezembro 12, 2005

Quem tem unhas toca guitarra

Sopram-te nas narinas, tentando dar-te vida... Já acenei, gritei, sussurei, não me ouvem! Tu estás morto. Recebi a noticia por telegrama... não me chocou. Pareço insensível... Sofrias de doença prolongada... já estava á espera há muito que tal acontecesse, na verdade sinti-me ligeiramente aliviada, por mim, por ti, por todos aqueles a quem a tua doença pudesse vir incomodar! No fundo é uma benção... Continuam as manobras de reanimação... contam até 15. De novo. Não desistem! Estás morto! Não desistem de um cadáver... Aproximo-me do teu corpo inerte e frio, retiro do meu pescoço a única prenda que me deste: uma coleira azul metalico, bordos finos cortantes. Junto os seus bordos aos teus pulsos, num gesto seco decidido retiro-te a única parte tua que foi minha: as mãos! as tuas mãos nas minhas ancas, coxas, na minha boca, as tuas mãos frias, como agora, no meu sexo! lambo-te os dedos a pingarem sangue, como sempre gostei de os lamber a pingarem desejo! Meto-as nos bolsos da gabardine, continuam frias... O coração que fique quem quizer com ele, de ti só quero a fria recordação de umas mãos... Morreu de que?! De que havia de ser?! Só se morre de uma causa: coração sem mãos que o segura-se... nunca conseguiu ter o coração nas mãos e oferta-lo...

domingo, dezembro 04, 2005

Decadência III

A Decadência é recorrente... este blog prova-o!
Desta feita atraves do vazio...
Oco... O Nada há muito que não roça no Tudo, numa recta circular...
A Decadência da ausência!

sábado, dezembro 03, 2005

Emigração

- Eu?! Nunca... para quê ir lá para fora se estou tão bem aqui?!
- Bem?! queixas-te de falta de dinheiro, de motivação, de interesses...
- Sim, Sim, mas não tenho que me preocupar com nada...
- Ama-la?!
- Não! mas estou bem com ela...
- pela mesma razão porque não vais para fora...
- Oh pá... não é só isso... O sexo também costumava ser óptimo!
- Costumava?!
- Sim.... é só uma fase!
- Enquanto isso vais ficando...
- Sim, vou ficando.
- Mais pobre!
- Não! Menos Utópico.
- Menos Ser!