segunda-feira, dezembro 26, 2005

Dúvida de Natal III

É possível ser-se um virtuoso e uma joia de moço simultâneamente?!

Pior prenda de Natal!

Inauguração da categoria pessoal: Queca de Merda

segunda-feira, dezembro 19, 2005

Gosto de...

Gosto de sorrisos! Alegres, frescos, vermelhos carnudos. Com os lábios suficientemente entreabertos, de forma a se descortinar o brilho esmaltado de uns bonitos dentes brancos!
Espontâneos, com covinhas de preferência, ou sem elas!
Marotos, atrevidos, puros, inocentemente maliciosos, puramente obscenos como as virgulas!
Gosto de sorrisos como gosto de virgulas, e de todas as palavras que me façam enrolar subtilmente a língua.
Gosto dos sorrisos que me enrolam, envolvem, tocam, marcam, que me levam a...

domingo, dezembro 18, 2005

Há dias assim...

Mesmo que a tua banda não passe do primeiro single eu continuo a amar-te.

Banda de Natal

Desde pequena que sonhava em ter uma banda!
Ansiava por poder tocar um instrumento, fosse qual fosse, até podia ser a vocalista!
O que realmente importava era ter uma banda!
Não sabe tocar, nem tão pouco cantar... mas o seu desejo manteve-se sempre inalterado! De tal forma que este forte ensejo, que se alojava no coração, com o passar dos anos, com os ritmos cardíacos pouco ritmados, com os diversos impulsos electricos de base sinosal, foi migrando lentamente!
Hoje tem uma banda, alojada no estômago! Os pratos da bateria salpicados a verde brocolo, o saxofone corado a bordeaux vinho, as cordas da guitarra vão fatiando batatas para fritar, a pandereita serve finas panquecas enquanto os ferrinhos vão batendo alvas claras em castelo, os adufes povilham a canela o arroz doce... Tem uma verdadeira banda dentro do seu dilatado estômago... a voz essa é de um vómito seco de quem se entrega em demasia aos prazeres...
Hoje ainda não é feliz... Cumpriu o seu sonho: tem uma banda dentro dela!
Sempre ouviu dizer: o que conta é o interior!

segunda-feira, dezembro 12, 2005

Quem tem unhas toca guitarra

Sopram-te nas narinas, tentando dar-te vida... Já acenei, gritei, sussurei, não me ouvem! Tu estás morto. Recebi a noticia por telegrama... não me chocou. Pareço insensível... Sofrias de doença prolongada... já estava á espera há muito que tal acontecesse, na verdade sinti-me ligeiramente aliviada, por mim, por ti, por todos aqueles a quem a tua doença pudesse vir incomodar! No fundo é uma benção... Continuam as manobras de reanimação... contam até 15. De novo. Não desistem! Estás morto! Não desistem de um cadáver... Aproximo-me do teu corpo inerte e frio, retiro do meu pescoço a única prenda que me deste: uma coleira azul metalico, bordos finos cortantes. Junto os seus bordos aos teus pulsos, num gesto seco decidido retiro-te a única parte tua que foi minha: as mãos! as tuas mãos nas minhas ancas, coxas, na minha boca, as tuas mãos frias, como agora, no meu sexo! lambo-te os dedos a pingarem sangue, como sempre gostei de os lamber a pingarem desejo! Meto-as nos bolsos da gabardine, continuam frias... O coração que fique quem quizer com ele, de ti só quero a fria recordação de umas mãos... Morreu de que?! De que havia de ser?! Só se morre de uma causa: coração sem mãos que o segura-se... nunca conseguiu ter o coração nas mãos e oferta-lo...

domingo, dezembro 04, 2005

Decadência III

A Decadência é recorrente... este blog prova-o!
Desta feita atraves do vazio...
Oco... O Nada há muito que não roça no Tudo, numa recta circular...
A Decadência da ausência!

sábado, dezembro 03, 2005

Emigração

- Eu?! Nunca... para quê ir lá para fora se estou tão bem aqui?!
- Bem?! queixas-te de falta de dinheiro, de motivação, de interesses...
- Sim, Sim, mas não tenho que me preocupar com nada...
- Ama-la?!
- Não! mas estou bem com ela...
- pela mesma razão porque não vais para fora...
- Oh pá... não é só isso... O sexo também costumava ser óptimo!
- Costumava?!
- Sim.... é só uma fase!
- Enquanto isso vais ficando...
- Sim, vou ficando.
- Mais pobre!
- Não! Menos Utópico.
- Menos Ser!

sábado, novembro 26, 2005

Perante mim me agiganto... grande, completa, enorme, coesa, integra, transcendente, eloquente, sábia, perspicaz, plena... hiperbole de merda!

sábado, novembro 12, 2005

sexta-feira, novembro 11, 2005

Europa 02 (VIII)

"Doenças
Perseguem as doenças estranhas. Perseguem os doentes estranhos. Quem tem uma doença estranha deixa de ser doente, entra na categoria do criminoso.
Ter uma doença normal significa que se obedeceu e se foi exacto nas funções. Uma doença estranha revela uma falha: faltou-se à higiene ou à verdade."
Jerusalém

Europa 02 (VII)

Europa 02 (VI)

Exame Médico

Por vezes só assustam. Abrem uma fenda na pele e depois fecham-na. Arrumam os aparelhos. Dizem: nenhuma doença; e sorriem. Afastam-se, e tu começas a vestir-te.
Outras vezes é diferente. Fazem pequenos cortes. Tocam-te com os aparelhos. Tiram pequenas coisas do teu corpo, não interessa o quê; não magoam."
Jerusalém

Europa 02 (V)

Europa 02 (IV)

"Exame Médico
Os exames médicos são feitos em sítios públicos.
Estás sentado. De repente, tocam-te no ombro, e dizem: Exame Médico. De imediato levantas-te, encostas-te à parede, e despes-te por completo.
A cada Exame Médico marcam uma cruz nas costas da mão. Há pessoas que já fizeram dezenas. E todas as pessoas sabem que as doenças surgem com os exames médicos.
Como são marcados nas costas das mãos alguns procuram rodar os braços para manterem as palmas viradas para cima. Mas com esse gesto denunciam-se. Provocam maior repulsa. Os outros afastam-se. "
Jerusalém

Europa 02 (III)

Europa 02 (II)

"Registo
Quando o som surge tens cinco minutos para regressar ao teu compartimento. Aos metros quadrados que são a tua propriedade.
Não podes sair dali, e ninguém pode entrar.
Só depois de fazerem o registo é que podes sair do teu espaço privado. Para algumas pessoas o Estado de Registo pode demorar dez minutos e para outras dez dias.
Podes ficar dias sem saires do teu espaço. À espera. Quando passa muito tempo e já ouves os outros nos corredores comuns, ganhas ansiedade.
Pensas que te esqueceram.
Registam o teu corpo, as medidas exteriores. Levam amostras de tudo o que ele produz e também registam as tuas coisas, contabilizam os objectos do teu espaço. Tiram fotografias de diferentes pontos. Confirmam números. Comfirmam se há algo no compartimento que não te pertença. ou se falta algo."
Jerusalém

Europa 02 (I)

sábado, novembro 05, 2005

liquefeita...

Mais uma vez o inacabado, incompleto, a sensação de falta.
Estou em estado aquoso, fugidia...
Apetece-me morder, trincar, devorar e só consigo pensar nisso... doi-me o estômago!
Oiço-o a gemer...
Também gemeria se...
Apartir de agora só me terás em estado líquido!
Tens sede?! Bebe.
Tens fome?! Posso ser àgua para lavar as tuas feridas, sumo para a tua conhecida gula, leite para a tua juventude, gin para te tornar ébrio... os teus dentes não voltarão a morder-me! Se queres, bebe-me!
A comida serve-se quente. Tenho o termostato estragado.
O estômago não aguenta sólidos por muito tempo... vomita-os como se vomita o nojo de se ter existido...

Inacabada

Acendo mais um cigarro e preparo-me para dormir... com a sensação de sempre: deixei ficar alguma coisa para trás... e o pior de tudo é que sei o quê!